A doutrina da expiação tem sido reduzida a um mero sistema de salvação,
onde afirmam que Jesus morreu por todos, sem distinção e sem exceção, mas
somente aqueles que “aceitarem Jesus” serão salvos, ou seja, segundo o ensino
da expiação universal, Jesus não veio ao mundo para salvar, mas apenas
possibilitar a salvação.
Essa doutrina foi, e tem sido, alvo de muitas discussões em torno da
historia da igreja. Já no primeiro século temos Orígenes em Alexandria e Irineu
em Lião tentando sistematizar essa doutrina, que ficou conhecida como “A
teoria do resgate pago a Satanás”, que só foi contrariada no século XII pelo
arcebispo Anselmo da Cantuária, que ensinou “A teoria da satisfação penal”.
Alguns anos após a morte de Anselmo outra teoria aparece, defendida pelo
teólogo francês Pedro Aberlado, conhecida como “A teoria da influência moral”.
No inicio do século XVII, os socinianos, a semelhanças da teoria da influencia
moral, ensinavam “A teoria do exemplo”. Neste mesmo período surge na Holanda “A
teoria governamental”, ensinada primariamente por Hugo Grotius que mais tarde
influenciou o pensamento do teólogo e pastor da igreja Reformada na Holanda,
Jacó Armínio, que depois foi ensinada pelos seus discípulos conhecidos como os
remostrantes. Para os seguidores de Armínio, “a morte de Jesus faz provisão para o perdão de todos os
pecados, mas ela não estabelece o perdão
até que o pecador se entregue em fé a Deus”[1]. Não obstante, as igrejas
reformadas seguiram os ensinos do reformador João Calvino crendo na teoria da
satisfação apresentada por Anselmo da Cantuária. Para os teólogos reformados a
morte de Cristo foi vicária, Ele satisfez as exigências da lei no lugar dos
eleitos.
R. C. Sproul, comentando romanos 3.24-26, define a palavra expiação nos
seguintes termos: “Não devemos nunca abandonar palavras como propiciação e
expiação. Essas são duas das palavras mais gloriosas que encontramos no Novo
Testamento.
Propiciação significa satisfazer as
exigências da justiça. Em termos bíblicos, significa satisfazer as exigências
da ira de Deus. Deus coloca o pecado e o mal sob seu julgamento e declara que
derramará sua ira sobre eles. Em termos do Novo Testamento, do que nós somos
salvos é de Deus. Somos salvos por Deus do próprio Deus, da ira porvir. A
propiciação satisfaz completamente as exigências da ira e da justiça de Deus, o
que é o significado da cruz. Cristo, como nosso substituto, tomou sobre si a
ira que nós merecíamos pagar, a penalidade que era devida à nossa culpa para
satisfazer as exigências da justiça de Deus. Em sua obra de propiciação, Jesus
fez algo no sentindo vertical, algo com respeito ao Pai, satisfazendo por nós a
justiça de Deus.”
Expiação tem a ver diretamente conosco.
O prefixo ex – significa “para longe de” ou “fora de”. Um dos benefícios da
justificação é a remissão do pecado sendo retirado de nós. Nosso pecado
desaparece. [...] Quando o Novo testamento fala sobre expiação, está se
referindo ao sentido pelo qual Cristo remove nosso pecado e o afasta de nós. O
salmista disse: “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as
nossas transgressões”(Sl 103.12).
[...] Elas [as
palavras: propiciação e expiação] captam
de modo muito rico a essência do evangelho que se firma sobre aquilo que
Cristo realizou na cruz pagando por nossa culpa e em sua vida de perfeita
obediência, conquistando a justiça que ele nos dá gratuitamente.”[2]
Sem a expiação seria impossível o
perdão dos nossos pecados. Jesus removeu de nós, uma vez por todas, o pecado
que nos tornava culpados diante de Deus. Sua morte foi um ato forense que nos
salvou, e não uma viabilidade para salvação. Se Jesus fosse apenas uma
possibilidade de salvação, ninguém seria salvo, visto que a humanidade está
morta em seus pecados e delitos (Ef 2.1); se ele morreu por todas as pessoas,
então deveriam ser salvas, e já que não serão, prova que elas não são suas
ovelhas. Jesus deu a sua vida pelas suas ovelhas (Cf. Jo 10.6), e aqueles ao
qual não faz parte do seu rebanho, disse Agostinho: “Ele viu que elas eram
predestinadas para destruição eterna, não lhes adquiriu a vida eterna pelo
preço do sangue”[3].
REFERENCIAS:
[1] VAILATTI,
Carlos Augusto. Expiação Ilimitada. São
Paulo: Editora Reflexão, 2015, p.49.
[2] SPROUL, R.C.
Estudos bíbicos expositivos em Romanos.
São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p.93.
[3] GIBSON,
David; GIBSON, Jonathan. Do Céu Cristo
veio Buscá-la. São José dos Campos, SP: Fiel, 2017, p.83.

De fato, Cristo não apenas possibilitou a salvação, ele efetivamente salvou. Seu sacrifício na cruz é vicário, substitutivo. Portanto, se a Bíblia nos apresenta a ira de Deus sobre aqueles que serão condenados, logo, Cristo não morreu por eles; seus pecados não foram propiciados nem expirados.
ResponderExcluir*expiados
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